segunda-feira, 26 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
O que é vocação?

O termo vocação se entende como um chamado que chega até o ser humano diretamente de Deus e brota do interior da pessoa. Implica uma relação interpessoal , um diálogo entre Deus e a pessoa humana. O chamado de Deus chega à pessoa humana ao longo de sua existência. Ordinariamente, Deus se serve de intermediários: o Espírito, a Igreja, outras pessoas, a realidade que nos cerca.
A vocação, que tem sua origem no alto, encontra no profundo do ser humano aspirações, estímulos e condições para que possa ser escutada, acolhida e vivida.O despontar e o desenvolvimento da vocação é um mistério do qual entrevemos somente alguns aspectos parciais, em contínua e imprevisível evolução, indicadores de um processo, cujos componentes dinâmicos brotam de dois seres livres e em contínuo diálogo entre si.Deus me chama pelo nome desde o ventre materno.com amor, Deus me abre a porta da felicidade, respeitando minha liberdade.A vocação é, por assim dizer, uma misteriosa luz, na qual se traduz em uns desígnios concretos de Deus sobre cada ser humano.Jesus Cristo continua chamando hoje: chama à vida honesta e digna e ao serviço do próximo, enfim, chama a seguir seus passos com os que estão à beira do caminho por onde Ele andou.Viver a vida como vocação é viver e entrar no jogo do chamado, resposta e encontro de Deus com os homens e as mulheres.É deixar Deus atuar, pois é Ele que toma a iniciativa, respeitando sempre a nossa liberdade. “Vinde e vede...Eles foram e ficaram com Ele...”É seguir o itinerário, o caminho da identificação com Cristo Jesus, que viveu continuamente seu sim ao Pai, na missão que lhe foi confiada. É viver a fé cristã como chamado nominal e como resposta pessoal. A fé no Reino, no qual creio, me apaixono e trabalho por ele. É manter-se em um caminho de conversão, como dinamismo opção por Jesus Cristo, renunciando a valores que estão em alta no mundo, para identificar-me com o projeto de Jesus., para aderir aos valores do Reino de Deus, com disponibilidade e muito amor.É deixar-se interpelar pelos problemas humanos, pelas situações de marginalização e pela falta de valores pelos homens e mulheres de Deus.É optar pela minha felicidade e pela felicidade de todos. Pela felicidade que se conquista ao contagiar-se com os mesmos sentimentos de Jesus.Você aceita o desafio? Jesus te chama, venha ser uma Irmã de São Carlos de Lyon:
telefone (69) 3541-2813 ou (69) 9238-4477
Ir.Aparecida Nazareth de Andrade
Ir.Aparecida Nazareth de Andrade
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
ASSEMBLÉIA DA CATEQUESE REALIZADA EM PORTO VELHO
Porto Velho 15 à 18 de setembro de 2011
ASSESSOR IRMÃO NERY
Primeira Missão do catequista é preparar o terreno e não fazer o sinal da cruz e ler a Bíblia, mas sim gastar tempo com as crianças e adolescentes de que maneira? Com brincadeiras de entrosamentos, visitas as famílias dos mesmos. Não podemos jogar pérolas aos porcos, precisamos tirar este estilo escolar, onde o catequista é professor (a) e o catequizando é aluno. Devemos nos preocupar com o ser humano ajudando a pessoa se encontrar e partilhar. Comentário: grande é o desafio a nossa catequese tem o estilo escolar, por isso as nossas crianças não fazem a experiência de se encontrar consigo mesmo, sentir amor por Jesus Cristo, pela vida, pela religião, nem os catequistas fizeram esta experiência de se encontrar-se consigo e com Jesus. Nas formações não aparecem, não participam das celebrações eucarísticas como vão crescer na fé? Iniciação = “ É o segredo amoroso que Deus revela a quem ele confia” isto é o catequistas precisa estar disposto(a) abrir-se para Deus e deixar que Ele modele a sua vida conforme a vontade do Pai.
Estavamos mais o menos cem participantes vindo de: Ji-Parana, Cruzeiro do Sul, Prelazia de Labrea, Rio Branco, Guajará-Mirim, Porto Velho, Humaita.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Nossa Senhora das Dores - 15 de setembro
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A devoção à Nossa Senhora das Dores tem origem na tradição que conta o encontro de Maria com seu filho Jesus, a caminho do Calvário. Ao ver o amado filho carregando a pesada cruz, torturado e sofrido, coroado de espinhos e ensangüentado, a dor da Mãe de Deus foi tão profunda que nos faz refletir até hoje sobre as nossas próprias dores.
Nos primórdios da Igreja, a festa era celebrada com o nome de Nossa Senhora da Piedade e da Compaixão. No século XVIII, o papa Bento XIII determinou, então, que se passasse a chamar de Nossa Senhora das Dores.
A ordem dos servitas foi responsável por criar uma devoção especial conhecida como "As Sete Dores de Nossa Senhora", que nos lembram os momentos de sofrimento e entrega de Maria ao seu Senhor. São elas:
1- A profecia de Simeão - Lc 2, 35
2- A fuga com o Menino para o Egito - Mt 2, 14
3- A perda do Menino no templo, em Jerusalém - Lc 2, 48
4- O encontro com Jesus no caminho do calvário - Lc 23, 27
5- A morte de Jesus na cruz - Jo 19, 25-27
6- A lançada no coração e a descida de Jesus da cruz - Lc 23, 53
7- O sepultamento de Jesus e a solidão de Nossa Senhora - Lc, 23, 55
Oração a Nossa Senhora das Dores
Virgem Santíssima das Dores, olhai-me carregando a cruz de meu sofrimento.
Acompanhai-me como acompanhastes a Vosso Filho Jesus no caminho do Calvário.
Sois minha Mãe e vos necessito.
Ajudai-me a sofrer com amor e esperança para que minha dor seja dor redentora.
Que as mãos de Deus se convertam num grande bem para a salvação de almas.
Amém.
Foi o Papa Pio X que fixou a data definitiva de 15 de Setembro, conservada no novo calendário litúrgico, que mudou o título da festa, reduzida a simples memória: não mais Sete Dores de Maria, mas menos especificadamente e mais oportunamente: Virgem Maria Dolorosa. Com este título nós honramos a dor de Maria aceita na redenção mediante a cruz. É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado torna-se a Mãe do corpo místico nascido da Cruz, isto é, nós somos nascidos, enquanto cristãos, do mútuo amor sacrifical e sofredor de Jesus e Maria. Eis porque hoje se oferece à nossa devota e afetuosa meditação a dor de Maria. Mãe de Deus e nossa.
A devoção, que precede a celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores da Co-redentora, correspondentes a outros tantos episódios narrados pelo Evangelho: a profecia do velho Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus aos doze anos durante a peregrinação à Cidade Santa, o caminho de Jesus para o Gólgata, a crucificação, a Deposição da cruz, a sepultura, portanto, somos convidados hoje a meditar estes episódios mais importantes que os evangelhos nos apresentam sobre a participação de Maria na paixão, morte e ressurreição de Jesus.
Vamos nós, cristãos, pedir auxílio à Rainha dos Mártires, para que nos mantenha afastados do pecado, e nos dê força, auxílio e paciência para levarmos a nossa Cruz.
As Promessas aos devotos de Nossa Senhora das Dores
Santa Brígida diz-nos, nas suas revelações aprovadas pela Igreja Católica, que Nossa Senhora lhe prometeu conceder sete graças a quem rezar cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas principais "Sete dores" e Lágrimas, meditando sobre as mesmas.
Eis as promessas:
1ª - Porei a paz em suas famílias.
2ª - Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.
3ª - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nos seus trabalhos.
4ª - Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha à vontade de meu adorável Divino Filho e à santificação de suas almas.
5ª - Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6ª - Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.
7ª - Obtive de Meu Filho que, os que propagarem esta devoção (às minhas Lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhe-ão apagados todos os seus pecados e o Meu filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.
Santo Afonso Ligório nos diz que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu, aos devotos de Nossa Senhora das Dores as seguintes graças:
Eis as Graças:
1ª – Que aquele devoto que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer antes de sua morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados.
2ª - Nosso Senhor Jesus Cristo imprimirá nos seus corações a memória de Sua Paixão dando-lhes depois um competente prêmio no Céu.
3ª - Jesus Cristo guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte.
4ª - Por fim os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.
Meditação das 7 Dores de Nossa Senhora
+ Francisco, Bispo de Campinas
Campinas, 8 de março de 1934
Maria: Meditai muitas vezes nas minhas sete dores para consolar meu Coração e crescereis muito na virtude.
Ó almas que sofreis, vinde para perto de meu Coração e aprendei comigo. É junto de meu Coração transpassado de dor que achareis consolação! Mães aflitas, esposas amarguradas, jovens desorientados, meditando nos meus sofrimentos tereis força para atravessardes todas as dificuldades.
Que minhas dores vos comovam o coração, impulsionando-vos para a prática do bem.
1ª. Dor - Apresentação de meu Filho no templo
Nesta primeira dor veremos como meu coração foi transpassado por uma espada, quando Simeão profetizou que meu Filho seria a salvação de muitos, mas também serviria para ruína de outros. A virtude que aprendereis nesta dor é a da santa obediência. Sede obedientes aos vossos superiores, porque são eles instrumentos de Deus.
Quando soube que uma espada Me atravessaria a alma, desde aquele instante experimentei sempre uma grande dor. Olhei para o Céu e disse: 'Em vós confio'. Quem confia em Deus jamais será confundido. Nas vossas penas, nas vossas angústias, confiai em Deus e jamais vos arrependereis dessa confiança.
Quando a obediência vos trouxer qualquer sacrifício, confiando em Deus, a Ele entregai vossas dores e apreensões, sofrendo de bom grado por amor. Obedeçam não por motivos humanos, mas pelo amor Daquele que por vosso amor se fez obediente até a morte de Cruz.
2ª. Dor - A fuga para o Egito
Amados filhos, quando fugimos para o Egito, foi grande dor saber que desejavam matar meu querido filho, aquele que trazia a salvação! Não me afligi pelas dificuldades em terras longínquas; mas por ver meu filho inocente, perseguido por ser o Redentor.
Almas queridas, quanto sofri neste exílio! Porém tudo suportei com amor e santa alegria por Deus me fazer cooperadora da salvação das almas. Se fui obrigada a este exílio, foi para guardar meu filho, sofrendo provações por aquele que um dia ia ser a chave da mansão da paz. Um dia estas penas serão convertidas em sorrisos e em força para as almas, porque Ele abrirá as portas do Céu!
Amados meus, nas maiores provações pode haver alegria quando se sofre para agradar a Deus e por seu amor. Em terras estranhas, Eu Me rejubilava por poder sofrer com Jesus, meu adorável filho!
Na santa amizade de Jesus e sofrendo tudo por seu amor, não se chama sofrer senão santificar-se! No meio da dor sofrem os infelizes, que vivem longe de Deus, os que estão na sua inimizade. Pobres infelizes, entregam-se ao desespero, porque não têm o conforto da amizade divina, que dá à alma tanta paz e tanta confiança.
Almas que aceitais vossos sofrimentos por amor a Deus, exultai de alegria porque grande é vosso merecimento, se assemelhando a Jesus Crucificado, que tanto sofreu por amor a vossas almas!
Alegrai-vos todos os que, como Eu, sois chamados para longe da vossa pátria defender o vosso Jesus. Grande será a vossa recompensa, pelo vosso SIM à vontade de Deus.
Almas queridas, avante! Aprendei Comigo, a não medir sacrifícios, quando se trata da glória e dos interesses de Jesus, que também não mediu sacrifícios para vos abrir as portas da mansão da Paz.
3ª. Dor - Perda do Menino Jesus
Amados filhos, procurai compreender esta minha imensa dor, quando perdi meu adorável Filho por três dias.
Sabia que meu Filho era o Messias prometido, que contas daria então a Deus do tesouro que me tinha sido entregue? Tanta dor e tanta agonia, e sem esperança de encontrá-lo!
Quando O achei no templo, no meio dos doutores, e lhe disse que me havia deixado três dias em aflição, eis o que Me respondeu: 'Eu vim ao mundo para cuidar dos interesses de meu Pai, que está no Céu'.
A esta resposta do meigo Jesus, emudeci e compreendi que sendo o Redentor do gênero humano assim devia proceder, fazendo sua Mãe, desde aquele instante, tomar parte na sua missão redentora, sofrendo pela Redenção do gênero humano!
Almas que sofreis, aprendei nesta minha dor a submeter-vos à vontade de Deus, que muitas vezes vos fere para proveito de um de vossos entes queridos.
Jesus me deixou por três dias em tanta angústia para proveito vosso. Aprendei Comigo a sofrer e a preferir a vontade de Deus à vossa. Mães que chorais, ao verdes os vossos filhos generosos ouvirem o chamamento divino, aprendei Comigo a sacrificar o vosso amor natural. Se vossos filhos forem chamados para trabalhar na vinha do Senhor, não abafeis tão nobre aspiração, como é a vocação religiosa. Mães e pais dedicados, ainda que vosso coração sangre de dor, deixai-os partir, deixai-os corresponder aos desígnios de Deus, que usa com eles de tanta predileção. Pais que sofreis, ofertai a Deus a dor da separação, para que vossos filhos, que foram chamados, possam ser na realidade bons filhos Daquele que os chamou. Lembrai-vos que vossos filhos a Deus pertencem e não a vós. Deveis criá-los para servir e amar a Deus neste mundo, e um dia no Céu O louvarem por toda a eternidade.
Pobres aqueles que querem prender seus filhos, abafando-lhes a vocação! Os pais que assim procedem podem levar seus filhos à perdição eterna e ainda terão que dar contas a Deus no último dia. Porém, protegendo suas vocações, encaminhando-os para tão nobre fim, que bela recompensa receberão estes pais afortunados! Ainda que aqui chorem de saudades e a separação lhes custe muitas lágrimas, eles serão abençoados! E vós, filhos prediletos que sois chamados por Deus, procedei como Jesus procedeu comigo: primeiramente obedecei à vontade de Deus, que vos chamou para habitar na sua casa, quando diz: 'Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de Mim'. Vigiai se, por causa de um amor natural, deixais de corresponder ao chamado divino!
Almas eleitas que fostes chamadas e sacrificastes as afeições mais caras e a vossa própria vontade para servir a Deus! Grande é vossa recompensa. Avante! sede generosas em tudo e louvai a Deus por terdes sido escolhidas para tão nobre fim.
Vós que chorais, pais, irmãos, regozijai-vos porque vossas lágrimas um dia converter-se-ão em pérolas, como as minhas se converteram em favor da humanidade.
4ª. Dor - Doloroso encontro no caminho do Calvário
Amados filhos, contemplai e vede se há dor semelhante a esta minha, quando me encontrei com meu divino Filho no caminho do Calvário, carregando uma pesada cruz e insultado como se fosse um criminoso.
'É preciso que o Filho de Deus seja esmagado para abrir as portas da mansão da paz!' Lembrei-Me de suas palavras e aceitei a vontade do Altíssimo, que sempre foi a minha força em horas tão cruéis como esta.
Ao encontrá-lo, seus olhos me fitaram e me fizeram compreender a dor de sua alma. Não pôde Me dizer palavra, porém me fizeram compreender que era necessário que unisse a minha à Sua grande dor. Amados meus, a união de nossa grande dor neste encontro tem sido a força de tantos mártires e de tantas mães aflitas!
Almas que temeis o sacrifício, aprendei aqui neste encontro a submeter-vos à vontade de Deus, como Eu e meu Filho nos submetemos! Aprendei a calar-vos nos vossos sofrimentos.
No nosso silêncio, nesta dor imensa armazenamos para vós riquezas imensuráveis! As vossas almas hão de sentir a eficácia desta riqueza na hora em que, abatidos pela dor, recorrerdes a Mim, fazendo a meditação deste encontro dolorosíssimo. O valor do nosso silêncio se converte em força para as almas aflitas, quando nas horas difíceis souberem recorrer à meditação desta dor!
Amados filhos, como é precioso o silêncio nas horas de sofrimentos! Há almas que não sabem sofrer uma dor física, uma tortura de alma em silêncio; desejam logo contá-la para que todos o lastimem! Meu Filho e Eu tudo suportamos em silêncio por amor a Deus!
Almas queridas, a dor humilha e é na santa humildade que Deus edifica! Sem a humildade, trabalhareis em vão; vede pois como a dor é necessária para a vossa santificação.
Aprendei a sofrer em silêncio, como Eu e Jesus sofremos neste doloroso encontro no caminho do Calvário.
5ª. Dor - Aos pés da Cruz
Amados filhos, na meditação desta minha dor encontrareis consolo e força para vossas almas contra mil tentações e dificuldades e aprendereis a ser fortes em todos os combates de vossa vida.
Vede-me aos pés da Cruz, assistindo à morte de Jesus, com a alma e meu coração transpassados com as mais cruéis dores!
Não vos escandalizeis com o que fizeram os judeus! Eles diziam: 'Se Ele é Deus, por que não desce da cruz e se livra a si próprio?!' Pobres judeus, ignorantes uns, de má fé outros, não quiseram crer que Ele era o Messias. Não podiam compreender que um Deus se humilhasse tanto e que a sua divina doutrina pregava a humildade. Jesus precisava dar o exemplo, para que seus filhos tivessem a força de praticar uma virtude, que tanto custa aos filhos deste mundo, que têm nas veias a herança do orgulho. Infelizes os que, à imitação dos que crucificaram a Jesus, ainda hoje não sabem se humilhar!
Depois de três horas de tormentosa agonia, meu adorável Filho morre, deixando-me a alma na mais negra escuridão! Sem duvidar um só instante, aceitei a vontade de Deus, e no meu doloroso silêncio, entreguei ao Pai minha imensa dor, pedindo, como Jesus, perdão para os criminosos.
Entretanto, quem me confortou nesta hora angustiosa? Fazer a vontade de Deus foi o meu conforto; saber que o Céu foi aberto para todos os filhos foi meu consolo! Porque Eu também no Calvário fui provada com o abandono de toda consolação!
Amados filhos, sofrer em união com os sofrimentos de Jesus encontra consolo; sofrer por ter feito o bem neste mundo, recebendo desprezos e humilhações encontra força.
Que glória para vossas almas, se um dia por amar a Deus com todo o vosso coração, fordes também perseguidos!
Aprendei a meditar muitas vezes nesta minha dor, que ela vos dará força para serdes humildes: virtude amada de Deus e dos homens de boa vontade.
6ª. Dor - Uma lança atravessa o Coração de Jesus
Amados filhos, com a alma imersa na mais profunda dor, vi Longuinho transpassar o coração de meu Filho, sem poder dizer palavra! Derramei muitas lágrimas... Só Deus pode compreender o martírio desta hora, na alma e no coração!
Depois depositaram Jesus nos meus braços, não cândido e belo como em Belém... Morto e chagado, parecendo mais um leproso do que aquele adorável e encantador menino, que tantas vezes apertei ao meu coração!
Amados filhos, se Eu tanto sofri, não serei capaz de compreender vossos sofrimentos? Por que, então, não recorreis a Mim com mais confiança, esquecidos que tenho tanto valor diante do Altíssimo?
Porque muito sofri aos pés da cruz, muito me foi dado! Se não tivesse sofrido tanto, não teria recebido os tesouros do Paraíso em minhas mãos.
A dor de ver transpassar o Coração de Jesus com a lança, conferiu-me o poder de introduzir, neste amável Coração, a todos aqueles que a Mim recorrerem. Vinde a Mim, porque Eu posso vos colocar dentro do Coração Santíssimo de Jesus Crucificado, morada de amor e de eterna felicidade!
O sofrimento é sempre um bem para a alma. Ó almas que sofreis, regozijai-vos Comigo que fui a segunda mártir do Calvário! A minha alma e meu coração participaram dos suplícios do Salvador, conforme a vontade do Altíssimo, para reparar o pecado da primeira mulher! Jesus foi o novo Adão e Eu a nova Eva, livrando assim a humanidade do cativeiro no qual se achava presa.
Para corresponderdes porém a tanto amor, sede muito confiantes em Mim, não vos afligindo nas contrariedades da vida; ao contrário, confiai-Me todos os vossos receios e dores, porque Eu sei dar em abundância os tesouros do Coração de Jesus!
Não vos esqueçais, Filhos meus, de meditar nesta minha imensa dor, quando estiver pesada a vossa Cruz. Achareis força para sofrer por amor a Jesus que sofreu na Cruz a mais infame das mortes.
7ª. Dor - Jesus é sepultado
Amados filhos, quanta dor, quando tive que ver sepultado meu Filho. A quanta humilhação meu Filho se sujeitou, deixando-se sepultar sendo Ele o mesmo Deus! Por humildade, Jesus submeteu-se à própria sepultura, para depois, glorioso, ressuscitar dentre os mortos!
Bem sabia Jesus o quanto Eu ia sofrer vendo-o sepultado; não me poupando quis que Eu também fosse participante na sua infinita humilhação!
Almas que temeis ser humilhadas, vede como Deus amou a humilhação! Tanto que deixou-se sepultar nos santos Sacrários, a esconder sua majestade e esplendor, até o fim do mundo! Na verdade, o que se vê no Sacrário? Apenas uma Hóstia Branca e nada mais! Ele esconde sua magnificência debaixo da massa branca das espécies de pão! Em verdade vos digo, não O admirais tanto quanto Ele merece, por Jesus assim Se humilhar até o fim dos séculos!
A humildade não rebaixa o homem, pois Deus Se humilhou até à sepultura e não deixou de ser Deus.
Amados filhos, se quereis corresponder ao amor de Jesus, mostrai-lhe que O amais, aceitando as humilhações. A aceitação da humilhação vos purifica de toda e qualquer imperfeição e, desprendendo-vos deste mundo, vos faz desejar o Paraíso.
Queridos filhos, apresentei-vos estas minhas sete Dores, não para queixar-me, mas somente para mostrar-vos as virtudes que deveis praticar, para um dia estar ao meu lado e ao lado de Jesus! Recebereis a glória imortal, que é a recompensa das almas que, neste mundo, souberam morrer para si, vivendo só para Deus!
Vossa Mãe vos abençoa e vos convida a meditar muitas vezes nestas palavras ditadas porque muito vos amo.
domingo, 4 de setembro de 2011
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
"Um semeador saiu a semear ..." É o início da parábola que está no centro do Evangelho deste 15º. Domingo do Tempo Comum (Mateus 13,1-23); um início simples, quase trivial, como parece mais óbvio em seguida: no difícil terreno palestino de então, a semente espalhada "como chuva" cai apenas parcialmente em terra boa, onde irá dar frutos, em grande parte se perde no terreno seco, ou entre as pedras ou entre espinhos.
Com algumas exceções, todas as parábolas apresentam semelhantes traços da vida comum, de pouco interesse à primeira vista: a pesca pobre ou abundante, um homem assaltado por ladrões em uma estrada solitária, um pai que luta com os delírios dos filhos, dois homens que vão orar, uma mulher que percebe ter perdido uma moeda, uma outra prejudicada por falha na justiça.
Pode-se perguntar de onde vem o encanto dessas histórias, ainda vivas após dois mil anos em um mundo mudado radicalmente. A resposta, paradoxalmente, está no fato de que elas não mostram circunstâncias extraordinárias, mas sempre a partir dos pequenos problemas em que nos encontramos presos ou que conhecemos e que hoje também poderiam nos afetar: problemas de todos, como sempre, essencialmente os mesmos que há dois mil anos atrás – mudou apenas no modo externo. Por isso nos envolvem, pois numa ou noutra podemos nos reconhecer, mas muitas vezes as vivemos de uma forma superficial, entediados ou irritados. As parábolas nos fazem descobrir uma dimensão mais profunda, que as removem da banalidade e conferem ao cotidiano toda a espessura da vida real.
A parábola do semeador é um exemplo claro. Jesus faz a narração, como Ele mesmo depois explica, para comparar o semeador a Deus, a semente à sua Palavra, e os diferentes tipos de terrenos para as diferentes formas em que os homens se colocam diante dessa. Aqueles que não a aceitam ficam tão secos como a estrada; as pedras e os espinhos indicam os que receberam a Palavra, mesmo com entusiasmo, mas, superficialmente, sem deixar criar raízes, de modo que na primeira dificuldade a colocá-la em prática a abandonam, e apenas aqueles que realmente a fazem própria dão seu fruto abundante A parábola é, portanto, um convite para não ser superficial em relação à fé, a tomar consciência de que acolhê-la com coerência dá valor a cada momento da vida.
Mas em transparência da parábola, deduz-se também outra coisa. Por exemplo, que Deus não se desinteressa pelos homens; o fato de que lhes dirija sua palavra demonstra que Ele tem cuidado de orientá-los para o bem. Nesse sentido, a parábola ocupa um tema já presente no Antigo Testamento, como se pode ler, entre outras, na bela página dos profetas escolhida hoje como a primeira leitura (Is 55,10-11): "Assim diz o Senhor: Como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para lá sem irrigar a terra, sem a ter fecundado e feito brotar para que possa dar a semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra da minha boca...."
A parábola do semeador implica que, como Deus espalha sua Palavra sobre os homens, o mesmo acontece com cada um de nós: as nossas palavras, aquelas ditas e não ditas, quando na verdade elas deveriam ser ditas, aquelas faladas e aquelas caladas, feitas de gestos e comportamentos, nunca são sem consequências; como a pedra lançada no lago, sempre produzem ondas que se espalham fora de proporção, de longo alcance, produzem nos outros reações, opiniões, atitudes. Muitas vezes não pensamos, mas todos nós somos semeadores. Assim, se de um lado a consciência de influenciar sobre os outros dá sentido a todo momento e, em seguida, afirma que a vida, na realidade, nunca é trivial, de outro lado é para perguntar-se que semente lançamos ao nosso redor? A diferença entre Deus-semeador e o homem-semeador é esta: Deus sempre espalha a boa semente, que dá frutos abundantes em quem a recebe, enquanto nós sabemos lançar sementes envenenadas, que fazem sofrer. Talvez, às vezes, não tenhamos consciência disso, e é a nossa desculpa, por isso mesmo temos de avaliar cuidadosamente o que semeamos.
São Paulo Apóstolo, na passagem de Romanos que lemos neste domingo, nos faz lembrar do nosso destino eterno, fazendo-nos tomar consciência de que, mesmo os mais terríveis sofrimentos de hoje ou de uma vida inteira, são bem pouca coisa, temporalmente, concretamente, se comparados com a felicidade eterna, para a qual caminhamos, na medida em que fazemos tesouro da Palavra de Deus e não apenas a ouvimos, mas a praticamos. Bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e vivem-na todos os dias, nós cantamos juntos na liturgia eucarística, como se pode rezar na oração inicial da Missa de hoje, "Aumentai em nós, ó Pai, com o poder do vosso Espírito, a disponibilidade para acolher a semente de vossa palavra, que continuais a semear sobre toda a humanidade, para que frutifique em obras de justiça e de paz e revele ao mundo a bendita esperança do vosso reino".
Em outras palavras, um forte apelo à nossa responsabilidade pessoal sobre a adesão à Palavra de Deus que nós ouvimos durante as várias celebrações religiosas ou que podemos meditar pessoalmente, tomando em nossas mãos a Sagrada Escritura e lendo-a sistematicamente. Se não podemos fazer pessoalmente, porque limitados no tempo e nas condições físicas, valorizemos todas as oportunidades que nos dão as comunidades paroquiais, e também os múltiplos meios de comunicação que oferecem serviços à Palavra, tais como Internet, televisão, rádio, jornais, imprensa, revistas de todos os tipos. É importante valorizar e estudar o texto sagrado e, em sintonia com ele, conduzir a nossa vida pessoal para a santificação e salvação eterna, vocação de todo filho de Deus. Entender o que o Senhor quer para cada um de nós é o primeiro passo para a felicidade, passando pela purificação do coração e da mente, exatamente como nos diz o trecho do Evangelho deste domingo – décimo quinto do tempo comum. Se o nosso coração ainda está duro, árido, sem qualquer valor moral não poderá jamais dar uma resposta produtiva à Palavra, que também entra e toca a sua profundidade. É preciso diltar o coração para acolher a Palavra e levá-la para a vida, tranformá-la em exemplo vivo.
Neste contexto, a nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro recebe bispos de várias partes do Brasil, nesta semana próxima, para discutir como evangelizar nessa nova cultura nascida com as novas mídias. Trata-se do Seminário de Comunicação para os Bispos do Brasil (SECOBB), que tem como objetivo oferecer um espaço de reflexão e debate sobre o fenômeno da comunicação, a evolução de seus fundamentos e a natureza de suas práticas. Também apresentar os desafios que esse fenômeno traz para a Pastoral da Comunicação. As novas mídias são ferramentas fundamentais para o anúncio da Palavra de Deus. Atrás de nossas mídias estão milhares de pessoas que estão empenhadas, até mesmo com suas próprias vidas, para que a Palavra de Deus seja anunciada e Cristo seja ainda mais conhecido por todos. Tenho certeza de que a missão dos nossos comunicadores fez com que a imagem pública da Igreja diante da sociedade fosse ainda mais trabalhada com a verdade, para ser ainda melhor conhecida diante de tantas situações midiáticas hodiernas. Vamos acolher o Senhor Arcebispo Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli, que fará a abertura do seminário, e os senhores Bispos no Brasil para que a Palavra de Deus seja devidamente anunciada, usando de todos os meios que as mídias nos oferecem. Peço aos fiéis que rezem nestas intenções e que a Palavra de Deus continue sendo luz para os nossos pés e lâmpada para os nossos caminhos.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Mês da Bíblia 2011: Êxodo 15 -18 – Caminhada passo a passo
Autor: Odalberto Domingos Casonatto
Mês da Bíblia 2011: Êxodo 15 -18 – Caminhada passo a passo
Prof. Dr. Odalberto Domingos Casonatto
Em 2011 o texto proposto para ser aprofundado no mês da Bíblia é o livro do Êxodo nos capítulos de 15 a 18. Aqui estão algumas reflexões motivadoras, vindas dos subsídios e círculos bíblicos e catequese, que a CNBB colocou a disposição.
Já nos acostumamos com o mês da Bíblia, em setembro. É importante ter uma atividade assim, aprofundando a cada ano algo da mensagem bíblica. Muitos frutos preciosos vêm sendo colhidos, ao longo do tempo, com esse trabalho que nos dá oportunidade de mergulhar no texto bíblico e fazer crescer tanto o amor à Palavra de Deus como um conhecimento mais atualizado de sua interpretação.
A Bíblia não é só livro de estudo, é fonte de oração, de questionamento, de amadurecimento do povo de Deus, de transformação de vida. Quando uma comunidade realmente alimenta sua intimidade com a Bíblia, mudanças muito significativas acontecem, não só na catequese e na vivência da oração e da liturgia, mas em todos os aspectos da vida cristã. Por isso é importante que essa atividade não fique separada das outras, que se ligue ao que a Igreja faz, em todas as suas áreas e que se relacione com o que será refletido em outros projetos durante o ano. Pastoral de conjunto não é apenas uma técnica a ser considerada no planejamento, é um jeito de ser Igreja que de fato nos ajuda a ser visível comunidade de irmãos e discípulos.
Tema e lema do mês da Bíblia de 2011
Em 2011, o texto proposto para ser aprofundado no estudo bíblico é o livro do Êxodo nos seus capítulos de 15 a 18. Ali encontramos episódios muito significativos da caminhada do povo pelo deserto:
1 - Cântico de Moisés e Miriam (lembrando a necessidade de celebrar o que vivemos)
2 - água amarga que se torna doce, um lugar com doze fontes (Ex 15) e água que brota do rochedo (Ex 17)
3 - reclamações do povo diante das dificuldades encontradas no deserto
4 - alimento fornecido por Deus (codornizes e maná) para ser consumido com responsabilidade, sem acumulação
5 - destaque para o sábado como dia de pausa nas atividades (não se colhe maná nesse dia)
6 - uma batalha em que a vitória acontece porque Moisés, que anima o povo, tem suas mãos sustentadas por Aarão e Hur (Ex 17)
7 - Jetro ensinando Moisés a partilhar a liderança, formando equipes (Ex 18)
Além disso, a caminhada pelo deserto, no seu conjunto, é um símbolo potente da construção da identidade do povo, que se vai moldando ao regulamento da Aliança.
Considerando esse panorama, foram escolhidos o tema e o lema do nosso próximo mês da Bíblia:
Tema: Travessia: passo a passo o caminho se faz
Lema: Aproximai-vos do Senhor (Ex 16,9)
Se estivermos querendo de fato uma Pastoral de Conjunto, não podemos tratar o mês da Bíblia como algo isolado. No momento, estamos refletindo muito, em todas as áreas da Igreja, sobre a necessidade de uma boa iniciação à vida cristã, nesse nosso novo tempo caracterizado como "mudança de época". Então, é dentro desse panorama que vamos inserir o mês da Bíblia.
Iniciação tem a ver com formação de uma identidade, vivida como experiência transformadora de compromisso com um projeto de Deus que atinge por inteiro a vida da pessoa. A caminhada do povo de Deus pelo deserto tem função bem semelhante: é um caminho, que se faz passo a passo (como se vê no enunciado do tema do mês da Bíblia) na direção da formação de um povo com consciência da importância da missão que lhe foi dada por Deus. As leis que vão orientar o povo são dadas nesse caminho e vão formar uma identidade religiosa capaz de enfrentar muitos desafios; até as dificuldades que o povo encontra nesse processo podem servir como ponto de reflexão sobre a caminhada de quem quiser hoje se tornar cristão, discípulo verdadeiro de Jesus.
Travessia – outra palavra que aparece no tema – significa passagem de uma situação à outra, algo que se relaciona muito bem com a tão falada "mudança de época", contemplada em nossa reflexão sobre iniciação á vida cristã.
O mês da Bíblia e a Campanha da Fraternidade de 2011
A Campanha da Fraternidade de 2011 alertou sobre aquecimento global e uso predatório dos recursos do planeta. O texto do mês da Bíblia mostra o povo no deserto, precisando do essencial (não do supérfluo). Esse essencial está bem representado na necessidade de água e de comida. Uma água amarga se torna potável e parece que nós hoje estamos fazendo o contrário, tornando a água imprópria para consumo. O maná é o alimento essencial e suficiente. Pode ser visto como símbolo dos recursos naturais que Deus nos deu no planeta para a sustentação da vida. Mas não pode ser desperdiçado nem acumulado. O livro do Êxodo nos capítulos de 15 a 18 oferece textos motivadores para uma boa continuação da reflexão feita na Campanha da Fraternidade. O povo no deserto caminha com a promessa de encontrar uma terra onde corre leite e mel (um lugar bom para se viver). E nós, para onde caminhamos se não aprendermos a cuidar bem do planeta?
A parte que vamos estudar neste mês da Bíblia
Vamos tratar do livro do Êxodo nos capítulos 15 ao 18. É um período intermediário entre a libertação e o recebimento da Lei. É interessante chamar isso de "A Cartilha da Caminhada"´, um título que evoca nossa caminhada de hoje, a preparação para o discipulado, mas também para a própria vida numa comunidade religiosa. O texto nos mostra algumas dificuldades, crises, dúvidas, mas também soluções que caberiam bem no nosso trabalho pastoral de hoje.
É nessa ótica que vamos examinar o que o mês da Bíblia nos propõe.
1°. Trecho - Capítulo 15: precisam de água
Hino de Moisés – Cântico da Vitória Êxodo 15,1-21
Depois da travessia do Mar Vermelho a pé enxuto e o exercito do Faraó destruído, o povo de Deus começa a travessia do deserto. Deus forte e poderoso se faz presente e o povo quer celebrar os feito realizados por Deus em seu favor. Assim antes da caminhada celebram os grandes feitos de Deus por Israel. Portanto para o Povo de Deus celebrar é proclamar que Deus esta presente, Deus esta caminhando junto.
Êxodo 15, 1-21 é uma celebração de ação de graças. Este cântico é um dos mais importantes que a liturgia cristã toma do Antigo Testamento e mostram os feitos de Deus o seu poder e a sua salvação em favor do seu povo
O questionamento do que celebramos aparece no cântico e mostra a facilidade com que esquecemos o motivo celebrado. Sempre somos tentados em voltar ao nosso antigo modo de viver. A celebração prepara o Povo para travessia do deserto para que não se arrependa durante a caminhada. Celebrar os feitos conseguidos é muito fácil, mas lutar para viver o que celebramos é a maior dificuldade.
O texto de Êxodo 15,19-21 fala da força e da presença de Deus e exaltamos com alegria que o Senhor esta no meio de nós. A celebração nunca é o final de uma caminhada, mas pelo contrario é sempre o início é o ponto de partida mostra que nós estamos caminhando e o Senhor Deus está conosco, Ele nos acompanha, Ele está no meio de nós, estamos confiantes.
Neste poema surge a pergunta "Quem entre os deuses é como tu?" (Ex 15,11). Mostra à compreensão gradual da identidade do Deus único, que se completará mais tarde.
2°. Trecho - Vencer a Sede Ex 15, 22-27
O povo caminhou três dias no deserto e não achou água, no versículo 24 o povo murmura três dias após a celebração dizendo o que vamos beber?
"Mas quando chegaram a Mara não puderam beber a água de Mar, porque era amarga; por isso chamou-se Mara. O povo murmurou contra Moises, dizendo: Que havemos de bebe"? Ex 15, 23-24
Diante da dificuldade o povo se volta contra alguém, querem que Moises resolva o problema da água. Moisés neste momento personifica todas as pessoas que conduzem e lideram o povo. Moisés tem que ser tudo o que o Povo quer ao mesmo tempo o líder, o guia na caminhada do deserto, esperam que ele aponte o caminho certo. Moises é chamado para ser o grande animador que ajude o povo a superar a dificuldade do momento: falta de água e fonte de águas amargas: Mara. A questão é vencer a murmuração, existe uma causa que deve ser removida porque a caminhada continua. O importante é manter o povo no caminho do deserto superando as dificuldades, superando os problemas, não se deixando abater por nenhuma causa: mesmo a dificuldade das águas amargas.
No versículo 25 Moisés se volta para Deus e Deus estende a tabua da lei. Este versículo mostra como transformar em doçura o que há de amargo na vida? Porque tanta murmuração contra Deus por parte de seus filhos prediletos. Deus quer indicar que a sua lei transformará suas vidas de um tempo de amargura para um tempo de doçura. É necessário acreditar e ser fiel a sua palavra, na travessia do deserto. No versículo 26 Javé fala:
"Se ouvires atento a voz de Iahweh teu Deus e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, se deres ouvido aos seus mandamentos e guardares todas as suas leis, nenhuma enfermidade virá sobre ti das que enviei sobre os egípcios. Pois eu sou Iahweh aquele que restaura." (Ex 16,26)
Eu sou Javé aquele que cura você. O que adoça a vida das amarguras é a Palavra de Deus. Se Moisés tivesse desanimado na caminhada e em suas iniciativas a água continuaria amarga, os obstáculos seriam cada vez maiores, porém o que nos faz vencer na caminhada do deserto é à força da Palavra de Deus. O povo de Deus venceu a murmuração com a força da Palavra.
O medo que nos leva a murmuração só poderá ser vencido pela presença de Iahweh.
Celebrada a vitória, agora os caminhantes têm que enfrentar as conseqüências da liberdade. Falta água no deserto. E agora? A água que conseguem encontrar é amarga. Na Bíblia a água aparece tanto como fonte de vida como de morte (e até hoje não é assim?). Em qualquer conquista importante, de vez em quando vamos perceber que falta "abastecimento" ou que está a nosso dispor uma "água" que não é saudável. O povo resmunga nessa hora. E quem de nós já não viu algo parecido?
O capítulo termina com uma linguagem simbólica bem típica da Bíblia: chegam a um lugar com 12 fontes de água (número do povo, doze tribos, vida para todos) e 70 palmeiras (sinal de plenitude no resultado da "água").
"Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta Palmeiras; acamparam junto as águas" (Ex 15,27)
Questões e dúvidas na caminhada de hoje:
Comunidade: Que "águas amargas" aparecem na caminhada da Comunidade? Como tratamos isto?
Catequese: Como interpretamos as leis de Deus que aparecem. Elas nos ajudam a curar ou são simples ameaças?
Campanha da Fraternidade: Como se apresentam as águas do planeta? O que fazer para que a terra o mar sejam semelhantes ao lugar das "12 fontes e 70 palmeiras" que aparece em Ex 15,27?
3°. Trecho - Capítulo 16,1-36: Vencer a Fome. As codornizes e o maná
Saudades do tempo do Egito
Reaparece o grupo da murmuração. Este grupo esta sempre pronto a desestimular o caminho para a libertação. Sentem saudades do passado vivido no Egito. O grupo presente em 15,24 reaparece com mais força e influência toda a comunidade dos filhos de Israel.
Qual é o problema da murmuração? Aparece agora à falta de alimento e eles murmuram contra Moises.
"Antes fossemos mortos pela mão de Iahweh na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Certamente nos trouxeste para este deserto para fazer toda esta multidão morrer de fome." (Ex 16,3)
Parece que a murmuração não seja tão verdadeira, pois na escravidão não teriam nem acesso as panelas de carne e uma alimentação abundante. Moises se defende afirmando "não são contra nós as vossas murmurações é sim contra Iahweh" (Ex 16,8).
Na resposta deste problema, junto com o alimento que Deus envia para saciar a fome aparecem duas temáticas de importância: o sábado e os mandamentos. A narrativa também apresenta o fato que o maná não poderia ser acumulado, de um dia para outro, pois apodreceria. Deveriam recolher somente a quantidade suficiente, Deus estaria providenciando uma alimentação farta, durante toda a travessia. Ainda esta situação se contrapõe a falta de alimento no Egito, junto com a escravidão e o povo agora tem um dia de descanso, que no Egito não existia. A questão da lei aparece aqui ligada ao sábado, ao descanso. Não é lei opressora, que escraviza, mas que conduz a libertação.
Portanto a murmuração pela falta de alimento e a questão do descanso entram no texto como ensinamento divino ao povo para que veja que a volta ao regime de escravidão tiraria novamente deles a liberdade e a autodeterminação.
O texto nos ensina duas lições:
1) o recurso da natureza (representado no maná) é para ser usado, não abusado e estragado; é suficiente mas não objeto de ganância; caso contrario o produto apodrece. Ensina-nos o texto a vivencia da partilhar e da fraternidade. A vida será boa para todos se não existir "donos" do supérfluo.
2) Para guardar o sábado dever-se-ia colher em dobro na sexta feira. O sábado surge como instituição de preceito Homem e natureza observam (caso do maná) O ensinamento de Jesus nos evangelhos sobre a observância do sábado nunca cansa de mostrar este aspecto.
Lembrando o texto base da CF 2011, os recursos do planeta estão simbolizados no uso do maná. Mesmo a questão ecológica quando esta sendo usada de forma egoísta estragam a vida. Deus pensou a humanidade como uma grande família, que se cuida, e não vive de forma egoísta. A questão do sábado contrapõe o regime de escravidão do Egito, intercalando na existência ritmos de descanso. Não só de trabalho vivemos: precisamos de pausas, reflexão e convívio familiar. O sábado assim é visto muito mais como descanso e aproximação do Senhor do que uma obrigação.
Questões e dúvidas na busca do alimento na caminhada de hoje:
Comunidade: Como educamos a comunidade para o uso fraterno e responsável dos bens planeta?
Catequese: Levamos as crianças da catequese a percepção que as leis de Deus nos ajudam a viver melhor?
Campanha da Fraternidade: Já descobrimos o fio condutor que ajuda a ligar a C.F com o mês da Bíblia
4°. Trecho - Vencer a descrença Ex 17,1-7 Olha a água de novo!
Iahweh esta presente
O texto inicia localizando o povo na caminhada do deserto. O povo se angustia e pergunta (v.7) "esta Javé no meio de nós ou não?". O problema central mostrado é a descrença com a questão da falta de água. No deserto faltar água não seria problema, pois de antemão se sabe da dificuldade e a gente se prepara quando vai ao deserto. Mas aparece algo mais complicado toma rumo uma denuncia do Povo a Moises. Caracteriza-se o fato por uma disputa jurídica. Existe uma acusação "por que nos fizestes subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?"
A história só muda quando Moisés diante da corte dos anciãos atende a reivindicação do povo e tira água da rocha. Aí é esclarecida a tentação de Iahweh que o versículo 17,7 questiona a descrença do povo na presença de Iahweh na caminhada do deserto. O texto dá uma resposta a esta descrença mostrando que onde esta presente Iahweh poderá existir dificuldades, mas nunca o padecimento do povo. O povo deve reafirmar a sua fé e sentir que Deus está com ele.
Falta água outra vez e o povo pergunta de novo: Por que nos fizeste sair do Egito? Em nossa caminhada também não é só uma vez que vamos sentir falta de algo essencial.
Falta confiança em Deus e reconhecimento da importância da caminhada que vai concretizar a libertação. Muita gente prefere acomodação, mesmo com horizontes bem estreitos, já sabemos.
Deus vai repetir o fornecimento de água, que dessa vez virá de um rochedo no monte Horeb (outro nome para o Sinai, o monte dos mandamentos) no qual Moisés vai bater com a mesma vara com que tinha feito prodígios no rio do Egito.
Questões e dúvidas da presença de Iahweh na caminhada:
Comunidade: O que os Moisés de hoje (Catequistas, lideranças pastorais etc.) deveriam fazer para que o povo se sinta guiado por Deus?
Catequese: Que tipos de "sede" precisamos combater hoje? Amor e solidariedde ajudam a evitar as "sedes" do mundo?
5°. Trecho - Vencer o desanimo Ex 17,8-16
Nunca duvides da presença de Iahweh
Está pericope dos versículos 8 a 16 esta ligada a narrativa anterior, a batalha do povo de Israel contra os Amalecitas em Rafidim. É um ataque traiçoeiro dos Amalecitas contra o povo de Israel que se encontrava cansado da travessia, e mostra que os Amalecitas não temem a Javé e por isso se justifica sua destruição. Aparece a figura de Josué, que seleciona os guerreiros e comanda a batalha. Entretanto a vitória esta ligada a Moises destacando o aspecto do culto e adoração v.15 com a edificação de um altar. Batalhas como esta eram constante, pois os povos nômades disputavam pastagem para seus rebanhos. A narrativa mostra a necessidade de vencer o desânimo, a batalha se torna uma espécie de "guerra santa" e a certeza de vitória esta na adoração ao Deus libertador, que os acompanha e que os dirige na caminhada do deserto
O desânimo entra na nossa vida quando na travessia nos sentimos atacados pelas pessoas. Quando somos atacados pelos inimigos, rezamos. Quando rezamos somos vencedores, se paramos de rezar perdemos a luta. O modo de vencer o desânimo é a oração. Quando somos atacados o melhor que podemos fazer é buscar apoio.
Como seres humanos somos limitados, fracos e cheios de defeitos. Moisés como líder da caminhada prevê que não vai agüentar levar o grupo e então organiza a resistência. O que vai vencer o desânimo diante desta luta não é apenas a oração solidária, mas também ter amigos.
O versículo 14 é pedagógico e tem um objetivo? Então Iahweh disse "escreve isto para memorial em um livro" Lemos o livro para fazer memória, para que não esqueçamos e ao lembrar assumamos isso na vida. Quando fazemos memória dos erros sabemos que é possível caminhar. Todos nós aprendemos com os erros. Temos possibilidade de não errar onde os inimigos erraram. Simplesmente não podemos alegar que não tínhamos conhecimento. Um dia todos serão julgados e não podemos alegar falta de conhecimento.
O Versículo 15 fala que foi através do cajado que o povo atravessou o deserto, se alimentou, bebeu, entretanto o cajado não é sinônimo de poder.
Na liderança de um grupo ninguém é insubstituível e Moisés vai aprender isso. Moisés faz toda a travessia mas não entra na Terra Prometida, passa o cajado antes de chegar.
Nossa tarefa é única a de preparar os nossos substitutos para que estejam mais próximos do Senhor. Temos que continuar na travessia, a bandeira é o cajado que simboliza a força de Deus no meio de nós.
A vida nos ensina que não devemos nos apegar a nenhum cargo, tudo é passageiro. Páscoa é passagem, tudo passa, até você e quanto mais desapegado você for mais fácil será a transição
Questões e dúvidas na caminhada de hoje:
Comunidade: Os catequistas e líderes da comunidade pedem socorro aos companheiros de caminhada?
Catequese: O apoio mútuo de que tanto necessitamos, conseguimos repassar aos catequizandos.
Campanha da Fraternidade: A quem fomos solidários em momentos difíceis?
6°. Trecho - Capítulo 18, 1-12: Uma família se reagrupa e vence a divisão
O texto mostra a figura central Jetro sacerdote de Madiã e sogro de Moises. Jetro não sabia o que era ser escravo, não fez a travessia do deserto e também não presenciou, os feitos de Iahweh pelo seu povo na caminhada.
Iahweh ensina ao povo de Deus durante a travessia não deve ser fechado, mas sim, aberto para acolher as pessoas que queiram entrar. No capítulo 18 a figura de Moisés deixa de ser a principal personagem e começa a se destacar Jetro. Iahweh ensina: a comunidade crescerá quanto tem a capacidade de acolher pessoas novas.
A proposta central dos capítulos 15-18 do livro de Êxodo é a Libertação.
Podemos destacar ainda os seguintes ensinamentos:
A família unida é muito importante na caminhada. A família deve estar aberta ao acolhimento de outras pessoas.
A confiança que Jetro tem em Deus e o apoio efetivo da família a missão de Moisés. A libertação do povo só acontece quando existe reconhecimento da presença de Deus.
Questões e dúvidas na busca da união das famílias na caminhada de hoje:
Comunidade: O que faz a Família para manter-se a unida?
Catequese: No processo de catequese como a unidade familiar pode colaborar?
7°. Trecho - Capítulo 18, 13- 27: distribuindo tarefas a equipes subsidiárias
A maneira de trabalhar de Moises era centralizadora queria estar presente em todas as tarefas, de manhã até a noite. Jetro percebendo isto foi falar com Moises e disse para ele que a forma de conduzir o povo estava errada e ele acabaria se esgotando. Moises acolheu o conselho de Jetro e sugere a divisão de trabalho: homens de valor dentro do povo ficarão responsáveis como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Coube a Moises somente as questões mais graves e que necessitasse de autoridade. Depois deste acontecimento Jetro retornou a sua terra.
Um belo exemplo para o trabalho em nossas comunidades. Estamos precisando deste exemplo. Nossa evangelização acontece de forma muito independente, temos dificuldades em dividir tarefas e atividades. Organizar uma comunidade não significa centralizar as atividades. Moises nos dá um belo exemplo, assim deve acontecer em nossa tarefa de evangelizar. Devemos distribuir as responsabilidades, descobrir talentos e lideranças novas.
Questões e dúvidas na busca da união das famílias na caminhada de hoje:
Comunidade: Como dividimos as tarefas em nossas comunidades?
- Moisés aceitou os bons conselhos de Jetro. Sabemos aproveitar novas lideranças que surgem?
Concluindo:
O mes da Bíblia deste ano nos proporciona uma reflexão muito interessante sobre a caminhada de nossas comunidades. Quantas coisas que estamos fazendo e que só nos atrapalham. Precisamos nos abrir durante esta caminhada para o novo, enxergar o mundo em que vivemos, com um novo olhar, devemos cuidá-lo e preservá-lo. Nele nossa comunidade vive se organiza e caminha. Sem nos omitirmos da Campanha da Fraternidade, o livro do Êxodo nos capítulos de 15 a 18 oferece textos para uma boa continuação da reflexão feita na C.F. 2011. O povo de Deus caminha no deserto em busca da promessa de encontrar uma terra onde corre leite e mel. E nossas comunidades hoje, para onde estão caminhando se não aprendermos a cuidar minimamente do planeta que vivemos. De nossas atitudes com referencia aos cuidados com a natureza dependerá a sobrevivência das gerações futuras?
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Perfil do Autor
Com doutorado em Sagradas Escrituras pela Escola Bíblica de Jerusalem, se dedicou por muitos anos como professor de Novo Testamento no Instituto de Teologia e Pastoral de Passo Fundo, RS, e no Curso de Teologia e Pastoral de Férias. Além disso sempre acompanhou a caminhada dos grupos de Estudos Bíblicos com palestras e Cursos. Se dedica a pesquisa biblica.
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